Nenhum DRE tem uma linha chamada "retrabalho". O custo existe, mas fica espalhado em horas extras, material, frete, prazo e cliente insatisfeito. Por isso costuma ser subestimado, e por isso raramente é atacado.
Onde o retrabalho se esconde
- O pedido que volta da produção porque faltou uma informação da venda.
- A peça refeita porque a medida estava errada.
- O serviço que exige segunda visita ao cliente.
- O lançamento financeiro corrigido todo fechamento.
- A conferência tripla que existe porque "já deu problema antes".
Como colocar em reais
Uma estimativa simples já muda a conversa:
Custo mensal = ocorrências por mês × (horas por ocorrência × custo da hora + material perdido por ocorrência)
Exemplo (hipotético): 30 ocorrências por mês, 2 horas cada, hora a R$ 45 e R$ 20 de material: 30 × (2 × 45 + 20) = R$ 3.300 por mês, quase R$ 40 mil por ano. E isso sem contar o prazo perdido e o cliente que deixa de comprar.
A calculadora do custo do retrabalho faz essa conta com os seus números.
Por que acontece
As causas mais frequentes não estão nas pessoas, mas no processo:
- falta de padrão: cada um faz de um jeito;
- informação incompleta na passagem entre áreas;
- erros corrigidos na hora e esquecidos;
- ninguém mede, então ninguém prioriza.
Por onde começar a reduzir
- Registre. Durante algumas semanas, anote cada retrabalho: onde, o quê e o motivo aparente. Sem registro, a discussão é de opinião.
- Priorize. Monte um gráfico de Pareto: em geral, poucas causas respondem pela maior parte das ocorrências.
- Investigue a causa raiz das principais com 5 Porquês ou Ishikawa.
- Corrija o processo, não só o produto: padrão, informação, treinamento, verificação no ponto certo.
- Meça de novo. Se o número caiu, padronize. Se não caiu, a causa encontrada não era a principal.
Uma pergunta para hoje
Qual retrabalho a sua equipe já considera "normal"? Os mais caros costumam ser justamente esses, porque ninguém mais os enxerga.
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